Foto: Reprodução/Rede Amazônica Acre
As famílias afetadas pela cheia do Rio Juruá que estavam nos abrigos em Cruzeiro do Sul, interior do Acre, voltaram para casa nesta segunda-feira (31) após duas semanas desabrigadas. O retorno foi possível após o manancial sair da cota de alerta, que é 11,80 metros, e atingir 11,79 metros pela manhã.
O Rio Juruá, principal afluente da região, transbordou no último dia 7 em Cruzeiro do Sul. A cota de transbordo do rio é de 13 metros.
A Defesa Civil Municipal começou a retirar os moradores no último dia 18. A prefeitura da cidade decretou situação de emergência no mesmo dia e o decreto foi publicado no Diário Oficial do Estado (DOE) no dia 19 de março.
Segundo as informações do 4º Batalhão de Cruzeiro do Sul, 12 bairros foram atingidos pelas águas da enchente. Mais de 300 casas precisaram ter a energia elétrica cortada.
A autônoma Darclei de Jesus ficou em uma escola do município e celebrou o retorno. “A gente espera encontrar todas as nossas coisas, limpar nossa casa, arruma tudo. Vamos só orar por aquelas pessoas que nos acolheram”, disse.
O gestor de desastre da Defesa Civil Municipal, Pedro Henrique da Silva, explicou que foi feita vistoria nas residências antes da volta das famílias. “Tem esse acompanhamento da Defesa Civil, ajuda social e estamos devolvendo as famílias em segurança”, afirmou.
A equipe da Rede Amazônica Acre acompanhou a saída das famílias que estavam na Escola Padre Marcelinho Champagnat. Marcilane Cruz aguardava com expectativa o momento de chegada em sua casa.
“Coração está a mil, estamos com saudades de casa e queremos ver nossas coisas. Estou com saudades de arrumar tudo do meu jeito, levar as crianças para a escola, buscar. Essa rotina que, às vezes é cansativa, mas amo”, confessou.
Acompanhamento
Mesmo com o Rio Juruá em situação de normalidade no momento, a Defesa Civil do município vai continuar em monitoramento e dando apoio para os moradores que foram afetados pela cheia. Antes de saírem dos abrigos, os moradores ganharam sacolões e kit de limpeza.
“Fazemos o acompanhamento do rio e, se houve uma nova cheia, todas as famílias que estão vulneráveis será retiradas novamente e trazidas para os abrigos. Todas as famílias que estavam no abrigo receberam ajuda de custo na volta”, concluiu o Pedro Henrique da Silva.
Suspensão das aulas e da energia elétrica
A enchente provocou a interrupção do ano letivo em sete escolas e creches afetadas pelas águas do rio. Uma das unidades que tiveram as aulas interrompidas foi a creche Bom Jesus.
A creche também estava em uma das áreas que tiveram a rede de energia elétrica desativada por conta da elevação do Rio Juruá. A transmissão de energia elétrica foi interrompida nas áreas alagadas do município em 14 de março.
Na última sexta (28), quando o rio saiu da cota de transbordo, a Energisa iniciou o processo de religação da energia elétrica nas áreas afetadas pela cheia.
Por G1 Acre